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Para quem é Dona ou dono de salão de beleza ou barbearia, principalmente o pequeno negócio com uma a três cadeiras, e profissional da beleza que atende por conta própria com CNPJ e quer parar de misturar o dinheiro da casa com o do trabalho.
Para montar a planilha de controle financeiro do salão de beleza, primeiro separe a conta pessoal da conta PJ: as vendas entram no CNPJ e as despesas do negócio saem dele. Depois defina um pró-labore fixo, pago em data certa, registre cada despesa por categoria e faça uma conferência mensal documentada, validada com o contador.
Passo a passo
Separe a conta do salão da sua conta pessoal
A conta PJ recebe as vendas do salão e paga as despesas do negócio. A conta pessoal paga as suas despesas particulares.
- Receba os pagamentos dos clientes, de preferência, na conta ou no meio de pagamento ligado ao CNPJ.
- Pague pela empresa o aluguel, a água, a energia, o telefone, a maquininha, os fornecedores, os salários, os encargos, os tributos e os materiais.
- Não pague supermercado, escola, aluguel da casa ou outras despesas pessoais com o caixa do salão.
Isso ajuda no controle e também a manter separados o patrimônio da empresa e o seu patrimônio pessoal.
Defina um valor fixo de pró-labore
Pró-labore é a sua remuneração pelo trabalho que você presta ao salão. Para chegar ao valor:
- estime quanto custaria contratar outra pessoa para fazer o que você faz;
- considere quanto o salão consegue pagar de verdade;
- escolha um valor mensal fixo, em vez de retirar todo o saldo que sobrar;
- coloque o pró-labore no orçamento como custo recorrente;
- reavalie o valor de tempos em tempos, e não a cada necessidade pessoal.
Valide com o contador a forma correta de registrar essa retirada.
Marque uma data fixa para a retirada
Escolha um dia certo do mês, por exemplo o quinto dia útil. Nessa data:
1. o salão paga as próprias obrigações; 2. transfere o pró-labore definido para a sua conta pessoal; 3. ninguém faz retirada informal do caixa; 4. qualquer retirada extra recebe descrição, valor, data e classificação contábil.
Monte a planilha com os campos mínimos
Use uma planilha ou um sistema de gestão. Cada lançamento precisa de:
- data da operação;
- descrição;
- fornecedor ou cliente;
- categoria;
- forma de pagamento;
- valor bruto;
- taxas e descontos;
- valor líquido recebido;
- vencimento;
- data efetiva de pagamento;
- documento comprobatório;
- centro de custo, quando houver mais de uma área ou profissional.
Guarde notas fiscais, recibos, extratos, comprovantes de cartão e documentos de folha.
Separe as receitas por serviço
Lance as entradas por tipo de serviço: corte, escova, coloração, tratamentos, venda de produtos, pacotes e vouchers, e os demais que o seu salão oferece.
Assim você vê quanto cada serviço fatura e descobre quais trazem receita, mas consomem muito produto, tempo ou comissão.
Faça a conferência mensal em data fixa
Feche o mês até um dia fixo do mês seguinte, nesta ordem:
1. Vendas: compare agenda, sistema, comandas, recibos e recebimentos. Separe dinheiro, Pix, débito, crédito, voucher e parcelamentos. 2. Bancos e caixa: compare o extrato com a planilha, confira saldo inicial, entradas, saídas e saldo final, conte o caixa físico e investigue qualquer diferença, mesmo pequena. 3. Cartões e Pix: confira vendas brutas, taxas, antecipações e recebimentos previstos para os meses seguintes. 4. Contas a pagar: aluguel, fornecedores, folha e encargos, tributos, contas de consumo, sistemas, contabilidade e taxas. 5. Estoque: conte os produtos relevantes, compare o consumo com o número de atendimentos e identifique perdas, vencimentos, desvios e compras em excesso. Registre separado o que foi usado em serviço e o que foi vendido. 6. Indicadores: receita bruta, receita líquida, despesas fixas e variáveis, custo de produtos, folha e comissões, pró-labore, lucro ou prejuízo, saldo de caixa, contas a receber e a pagar. 7. Obrigações: confira tributos e declarações com o contador, verifique folha, férias, 13º, encargos e contratos, e confira a licença ou o alvará sanitário.
Registre o fechamento em uma página
Use esta estrutura:
Item Valor Receita de serviços R$ Receita de venda de produtos R$ Receita bruta total R$ Taxas de cartão e recebimentos R$ Tributos sobre vendas R$ Receita líquida R$ Produtos e descartáveis R$ Comissões e folha R$ Aluguel e ocupação R$ Utilidades R$ Marketing R$ Contabilidade e sistemas R$ Manutenção e conformidade sanitária R$ Pró-labore R$ Resultado do mês R$ No fim, anote saldo bancário, saldo de caixa, contas a receber, contas a pagar, estoque, diferenças encontradas, providências com responsável e data de aprovação do fechamento.
Qual a diferença entre pró-labore, lucro e retirada do caixa?
Pró-labore é a remuneração do sócio ou titular pelo trabalho que presta à empresa. Não é sinônimo de lucro nem de retirada livre do caixa.
- Pró-labore: valor fixo, no orçamento, pago em data definida.
- Distribuição de lucros: só depois do fechamento do mês, com o resultado apurado e a documentação contábil.
- Retirada emergencial: registrada à parte e analisada pelo contador.
- Reembolso: só com documento.
O pró-labore pode ter efeitos previdenciários e tributários. Como eles incidem depende da sua situação como contribuinte, do tipo de empresa e do regime tributário. Confirme o cálculo com o contador e com as regras vigentes da Receita Federal e do INSS.
Conteúdo informativo, não substitui contador, advogado ou o INSS.
Quais categorias de despesa usar na planilha de controle financeiro do salão de beleza?
Use categorias detalhadas o bastante para mostrar para onde vai o dinheiro, mas sem dezenas de classificações difíceis de manter.
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Custos ligados ao serviço | produtos usados nos atendimentos, luvas, algodão, descartáveis |
| Pessoal e remuneração | salários, pró-labore, comissões, férias, 13º, encargos e benefícios |
| Ocupação | aluguel, condomínio, IPTU, taxas e manutenção do imóvel |
| Utilidades | água, energia, gás, internet e telefone |
| Equipamentos e manutenção | secadores, lavatórios, cadeiras, esterilizadores, consertos e manutenção preventiva |
| Higiene, segurança e conformidade sanitária | limpeza, desinfecção, esterilização, EPIs, descarte de materiais e licenças |
| Tributos e taxas | DAS quando aplicável, taxas municipais, taxas de cartão e tarifas bancárias |
| Marketing e vendas | anúncios, redes sociais, materiais promocionais, programas de fidelidade |
| Serviços profissionais | contabilidade, sistema de agendamento, consultoria jurídica, TI |
| Financeiras | juros, multas, antecipação de recebíveis, tarifas de maquininha |
| Investimentos | reformas, equipamentos novos e expansão, separados das despesas do dia a dia |
Mantenha comissões, salários e pró-labore em linhas diferentes. É isso que mostra quanto custa a equipe e quanto custa o seu trabalho.
Por que os custos sanitários precisam entrar no orçamento?
A Anvisa considera os salões de beleza estabelecimentos de interesse da saúde. Segundo a agência, a fiscalização e a regulamentação desses serviços cabem às vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, e não existe norma sanitária federal específica para as atividades de embelezamento. A Anvisa orienta procurar o órgão sanitário local para conhecer as exigências.
A Anvisa também informa que cabe aos profissionais esterilizar os materiais e utensílios usados no atendimento, conforme a legislação aplicável. O material oficial da agência cita a Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012, que regulamentou atividades como cabeleireiro e barbeiro.
O que isso muda no seu salão: licença ou alvará, adequações, produtos regularizados, limpeza, esterilização e EPIs são custos previstos, não imprevistos. Coloque-os na planilha e confirme as exigências na vigilância sanitária do seu município.
O que fazer no seu salão esta semana?
1. Verifique se todas as vendas estão caindo na conta ou na maquininha do CNPJ. 2. Liste as despesas pessoais que hoje saem do caixa do salão e passe-as para a conta pessoal. 3. Escolha o valor do pró-labore e a data fixa de pagamento. 4. Crie a planilha com os campos mínimos e as categorias de despesa. 5. Marque na agenda o dia do fechamento mensal. 6. Leve a sua política de retiradas para o contador validar.
Erros comuns
- Confundir faturamento com lucro.
- Tratar o saldo bancário inteiro como dinheiro disponível: parte pode ser de tributos, folha, fornecedores ou vendas parceladas.
- Misturar comissões, salários e pró-labore em uma única categoria.
- Lançar compra de equipamento como despesa operacional sem avaliar o tratamento contábil adequado.
- Aceitar despesa sem documento ou descrição.
- Usar o caixa para empréstimo pessoal ao dono sem registro.
- Ignorar custos sanitários, de segurança e de manutenção.
- Tratar qualquer retirada como lucro só para evitar encargos.
- Presumir que uma regra federal substitui a exigência sanitária do seu município.
Perguntas frequentes
Posso tirar dinheiro do caixa do salão quando precisar?
O ideal é não fazer retiradas informais. Receba o pró-labore em data fixa. Se precisar de uma retirada extra, registre descrição, valor, data e classificação contábil e peça a análise do contador.
Pró-labore é a mesma coisa que lucro?
Não. Pró-labore é a remuneração pelo seu trabalho no salão. A distribuição de lucros depende do resultado apurado no fechamento e da documentação contábil, e fica separada do pró-labore.
Posso chamar toda retirada de lucro para pagar menos encargos?
Não é adequado. O pró-labore pode ter efeitos previdenciários e tributários, que dependem do tipo de empresa e do regime tributário. Confirme com o contador e com as regras vigentes da Receita Federal e do INSS.
O saldo que aparece no banco é o dinheiro que sobrou?
Nem sempre. Parte do saldo pode ser de tributos, folha, fornecedores ou vendas parceladas ainda a receber. Por isso o fechamento confere contas a pagar e a receber.
Comprar um equipamento novo é despesa do mês?
Compra de equipamento, reforma e expansão são investimentos. Não lance como despesa operacional comum sem avaliar com o contador o tratamento contábil adequado.
Onde confiro a licença sanitária do salão?
Na vigilância sanitária do seu município. Segundo a Anvisa, a fiscalização e a regulamentação dos serviços de embelezamento cabem às vigilâncias estaduais e municipais.



