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Para quem é Dono ou dona de salão de beleza ou barbearia, principalmente pequeno, e profissional da beleza que atende por conta própria e precisa definir quanto cobrar por serviço.
Para montar a tabela de preços do salão de beleza passo a passo, separe custos fixos e variáveis, calcule o custo de cada serviço, some em percentual impostos, comissões, despesas fixas e lucro desejado, aplique o markup e compare com a concorrência e o valor que o cliente percebe. Não existe tabela oficial: cada salão faz a sua.
Etapas
Por que o preço precisa partir da conta do seu salão?
Objetivo: Entender por que o preço deve partir dos seus custos e depois ser comparado com o mercado.
Cobrar o que o salão vizinho cobra parece seguro. Mas isso não diz se o seu serviço paga as suas contas.
Um trabalho da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sobre salões de beleza afirma que a precificação inadequada pode comprometer a competitividade e a viabilidade do negócio. O mesmo trabalho lembra que o preço, em muitos casos, é a porta de entrada: é a percepção inicial do cliente sobre o serviço.
Por isso a ordem importa. Primeiro você conhece os seus custos. Depois olha o mercado. O trabalho da UFU, citando Nogami e Veloso (2017), resume o objetivo: encontrar um valor que satisfaça tanto o cliente quanto a empresa.
Conhecer o custo, porém, não basta sozinho. Concorrência, serviços substitutos e o valor que o cliente percebe também pesam. Esses pontos entram na etapa 6. Nesta trilha, cada etapa resolve uma parte da conta. Você pode fazer uma por semana, no seu ritmo.
Ação: Escreva os serviços que você oferece hoje e o preço que cobra por cada um.
O que registrar: Anote, ao lado de cada serviço, se você sabe ou não quanto ele custa para o salão.
Quais são os custos fixos e variáveis do salão?
Objetivo: Ter os gastos do salão separados entre custos fixos e custos variáveis.
O primeiro passo prático é separar os gastos em dois grupos.
Segundo o trabalho da UFU, que cita Martins (2003), custos fixos são os que não variam com a quantidade de serviços: aluguel, energia elétrica, salários administrativos, seguros, parcelas de empréstimos e pró-labore (a retirada do dono). Custos variáveis acompanham o volume de atendimentos: produtos e insumos usados no serviço, cosméticos e comissões dos profissionais.
Essa divisão muda a forma de olhar o preço. O fixo existe mesmo com a agenda vazia. O variável só aparece quando o cliente senta na cadeira. O trabalho afirma que a distinção correta desses custos é essencial para chegar a preços compatíveis com a realidade do negócio.
Pegue os extratos e as notas do último mês. Coloque cada gasto em uma de duas colunas. Na dúvida, faça uma pergunta simples: se eu não atender ninguém este mês, esse gasto continua? Se a resposta for sim, ele é fixo.
Ação: Use os extratos e notas do último mês para colocar cada gasto na coluna de fixos ou de variáveis.
O que registrar: Anote o total do mês de custos fixos e o total de custos variáveis.
Como calcular o custo de cada serviço?
Objetivo: Saber o custo variável de cada serviço da sua tabela.
Com os custos separados, desça ao nível do serviço. Para cada item da sua tabela, anote o que é gasto só quando aquele serviço acontece: o produto usado por aplicação, os insumos e a comissão de quem atende.
O trabalho da UFU, com base em Beuren e Roedel (2002), aponta o custeio variável como o método mais vantajoso para salões, porque mostra com detalhe o impacto dos custos variáveis sobre a lucratividade. Distribuir os custos fixos em cada serviço (custeio por absorção) depende de um critério de rateio escolhido de forma arbitrária, segundo o mesmo trabalho, e pode não refletir a realidade. Já o custeio baseado em atividades (ABC) exige conhecimento técnico e pode não ter o custo-benefício desejado.
Um cuidado lembrado por Megliorini (2012), citado em trabalho da Universidade de Caxias do Sul (UCS): o custo muda conforme o produto foi comprado à vista ou a prazo, com ou sem desconto. Use o preço que você de fato pagou.
Ação: Para cada serviço, liste produto por aplicação, insumos e comissão, usando o preço que você realmente pagou pelos produtos.
O que registrar: Anote o custo variável total de cada serviço.
O que entra como percentual sobre o preço?
Objetivo: Ter, em percentual sobre o preço, impostos, taxas, despesas fixas e lucro desejado.
Alguns gastos não fazem parte do custo do serviço, mas precisam sair do preço. Segundo Cogan (1999), citado no trabalho da UCS, o markup cobre contas que devem ser tratadas como percentual sobre o preço de venda: impostos e taxas sobre as vendas, comissões, despesas fixas e o lucro desejado.
Monte sua lista em percentual. Quanto do faturamento vai para imposto? Quanto vai para taxas cobradas sobre as vendas? Quanto os custos fixos representam do que o salão fatura? Que lucro você quer? Se a comissão já entrou no custo do serviço na etapa 3, não a conte de novo aqui.
O imposto depende do regime. O trabalho da UFU lembra que a escolha entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real impacta diretamente a rentabilidade. O percentual do seu salão sai da conversa com o contador.
Um alerta de Megliorini (2012): é comum confundir markup com lucro. O lucro é só uma das partes que o markup precisa cobrir.
Ação: Escreva cada percentual que sai do preço, confirmando com o contador o percentual de imposto do seu regime.
O que registrar: Anote a soma de todos os percentuais que saem do preço de venda.
Como aplicar o markup na prática?
Objetivo: Calcular o preço de cada serviço pelo markup divisor ou multiplicador.
Com os percentuais em mãos, a conta é direta. O trabalho da UCS reproduz um exemplo de Cogan (1999).
Parte-se de 100% do preço de venda. Subtrai-se o que não é custo do produto: impostos e taxas de venda (23,65% no exemplo) e margem de contribuição, que reúne despesas fixas e lucro (31,00% no exemplo). Sobra o markup divisor: 45,35%.
No exemplo, o custo total é R$ 600,00. Dividido por 0,4535, dá preço de venda de R$ 1.323,04. O mesmo preço sai multiplicando o custo pelo markup multiplicador, 2,20507, que é 100% dividido por 45,35%. Tanto faz usar um ou outro.
Atenção: esse exemplo inclui ICMS e outros percentuais pensados para aquele caso. O próprio trabalho diz que os percentuais dependem de cada empresa. Troque cada número pelos seus. Megliorini (2012) lembra ainda que é possível ter um markup para cada produto ou linha, o que no salão pode significar um por serviço ou grupo de serviços.
Ação: Subtraia de 100% a soma dos seus percentuais e divida o custo de cada serviço pelo resultado.
O que registrar: Anote o markup do salão e o preço calculado de cada serviço.
Como comparar o preço com o mercado local?
Objetivo: Ajustar o preço calculado considerando concorrência, substitutos, demanda e valor percebido.
O preço que sai da conta é o ponto de partida, não o fim. O trabalho da UFU, citando Azambuja e Dalfovo (2005), diz que o markup precisa de complemento, porque não considera a visão da empresa frente aos concorrentes nem a percepção de valor pelo cliente.
Olhe três coisas. Primeiro, os preços praticados por outros salões e por serviços substitutos. Segundo, a elasticidade da demanda: como a variação do preço afeta a chegada e a fidelização de clientes. Terceiro, o valor percebido. Segundo Souza et al. (2014), citados no mesmo trabalho, clientes estão dispostos a pagar mais por serviços diferenciados e experiência superior. O trabalho também cita a sazonalidade entre os fatores externos.
Observar o mercado é diferente de combinar preço. Nunca acerte valores com outros salões. Cada salão decide o seu a partir da própria conta.
Preço, segundo Cruz et al. (2011), citados no trabalho da UCS, deve vir de um processo estratégico contínuo. Volte à tabela quando os custos mudarem.
Ação: Compare o preço calculado de cada serviço com os preços de salões e serviços substitutos da sua região.
O que registrar: Anote, para cada serviço, se o preço calculado ficou acima, igual ou abaixo do que você observou no mercado.
Como fazer a tabela de preços do salão de beleza passo a passo?
Em resumo: separe custos fixos e variáveis, calcule o custo variável de cada serviço, liste em percentual o que sai do preço (impostos, taxas, despesas fixas e lucro), aplique o markup e compare o resultado com o mercado e com o valor que o cliente percebe.
Não existe tabela oficial de preços para salão. Cada tabela nasce da conta de cada negócio. Segundo o trabalho da UFU, as estratégias de preço variam conforme posicionamento, localização e público atendido.
E os impostos, como entram no preço?
Os tributos entram como percentual sobre o preço de venda. O percentual depende do regime do seu negócio. O trabalho da UFU cita Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real e afirma que a escolha certa impacta diretamente a rentabilidade.
Esta página não traz alíquotas porque elas dependem do regime e da regra vigente. Conteúdo informativo, não substitui contador, advogado ou o INSS.

Perguntas frequentes
Qual o valor da mão de obra de um cabeleireiro?
As fontes desta página não publicam um valor de referência para a mão de obra. O caminho é calcular: somar o custo variável do serviço, aplicar um markup que cubra impostos, despesas fixas e o lucro desejado, e depois comparar com o mercado local.
Markup é a mesma coisa que lucro?
Não. Segundo Megliorini (2012), citado em trabalho da UCS, é comum confundir os dois. O markup cobre impostos, taxas, despesas fixas e também o lucro. O lucro é só uma parte dele.
Onde aprender mais sobre preço de venda na beleza?
O Sebrae-SP oferece a solução Preço de vendas para beleza, que trata de como formar preço de venda, estratégias de precificação e indicadores importantes do preço em negócios de beleza.
Fontes
Do custo da sua hora e dos produtos até o preço que paga impostos, taxas, comissão e ainda deixa lucro.



