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Guia prático

Como usar uma planilha de precificação no salão de beleza

7 min de leitura · Preço e dinheiro · Atualizado em 06/11/2026

Detail close-up of a marble counter holding a small brass kitchen scale, a blank generic bottle, a minimal hourglass timer and a pencil over
Imagem gerada por IA
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    Para quem é Dona ou dono de salão de beleza ou barbearia, principalmente pequeno (MEI ou Simples), e profissional da beleza que atende por conta própria, inclusive em casa, e quer saber se o preço que cobra cobre os custos e deixa lucro.

    Em resumo

    Uma planilha de precificação para salão de beleza junta, para cada serviço, os custos diretos (insumos, taxa da maquininha, comissão), a parcela dos custos fixos do mês e o tempo de trabalho. Some tudo para achar o custo total e aplique: preço = custo total ÷ (1 – margem em decimal). Depois, compare com o mercado.

    Passo a passo

    1. Liste os custos fixos do mês

      Na primeira aba da planilha, anote tudo o que você paga mesmo sem atender ninguém. Segundo o Sebrae-RN, entram aqui aluguel, água, luz, internet, salários e contador. O estudo da Faculdade de Ciências Contábeis da UFU acrescenta seguros, parcelas de empréstimos e pró-labore (a sua retirada como dona ou dono). Use os valores reais do último mês, não uma estimativa de cabeça.

    2. Calcule a parcela do custo fixo por atendimento

      Esse é o rateio: dividir o custo fixo entre os serviços. Pela orientação do Sebrae-RN, divida o total mensal dos custos fixos pela quantidade média de unidades vendidas no mês. No salão, a unidade é o atendimento. Use a média de atendimentos que você realmente fez, tirada da agenda, e não a que gostaria de fazer.

    3. Anote os custos diretos de cada serviço

      Crie uma linha para cada serviço. Custos diretos são os que aparecem a cada venda. O Sebrae-RN cita matéria-prima, insumos, taxa da maquininha e comissões. A UFU classifica como custos variáveis os produtos e insumos usados no serviço, os cosméticos e as comissões. Para cada serviço, registre quanto de produto vai em um atendimento, a taxa da maquininha e a comissão do profissional, se houver.

    4. Coloque o tempo de trabalho no custo

      O seu trabalho também é custo. No exemplo do Sebrae-RN, o tempo entra como horas de trabalho multiplicadas por um custo por hora que já inclui a remuneração de quem faz o serviço. Anote quanto tempo cada serviço leva e qual é o custo da sua hora. Se você não inclui a própria remuneração, o preço parece bom no papel e o salão não paga quem trabalha nele.

    5. Some tudo para chegar ao custo total por serviço

      Custo total por serviço = custos diretos + tempo de trabalho + parcela dos custos fixos. Esse número é o piso: abaixo dele, cada atendimento dá prejuízo.

    6. Aplique a margem com a fórmula do preço

      Defina a margem de lucro desejada e aplique a fórmula publicada pelo Sebrae-RN:

      Preço de venda = custo total ÷ (1 – margem de lucro em decimal)

      Se houver impostos e taxas em percentual sobre a venda, eles também entram no divisor. Para o MEI, o imposto é o DAS mensal. Nas demais empresas, valem os tributos do regime tributário. Confirme com o seu contador quais tributos se aplicam ao seu caso. Este conteúdo é informativo e não substitui contador, advogado ou o INSS.

    7. Compare com o mercado e com o valor que o cliente percebe

      O Sebrae-RN orienta pesquisar quanto os concorrentes cobram. Se o seu preço ficou muito acima, revise os custos ou deixe claro o que torna o seu serviço mais valioso. Se ficou abaixo, há espaço para ganhar mais ou praticar um preço competitivo. A pesquisa de mercado serve de referência. A base do seu preço continua sendo o seu próprio custo.

    8. Revise a planilha com frequência

      Custos mudam. O checklist do Sebrae-RN propõe anotar todas as entradas e saídas durante 30 dias, revisar os números ao fim do primeiro mês e calcular o custo real dos serviços para revisar os preços. Volte à planilha sempre que o preço de um insumo, o aluguel ou o volume de atendimentos mudar.

    Por que usar uma planilha de precificação no salão de beleza?

    Porque sem conhecer o custo você não sabe se cada atendimento dá lucro ou prejuízo. O estudo da UFU afirma que a alocação correta dos custos permite uma precificação eficiente e assegura a rentabilidade do negócio. O mesmo estudo cita indicadores como margem de contribuição e ponto de equilíbrio como apoio ao controle dos custos.

    Não é preciso gastar muito para começar. Segundo o Sebrae-RN, uma planilha eletrônica comum já resolve: dá para acessar de qualquer lugar e compartilhar com o contador. Quando o volume crescer, vale avaliar um sistema de gestão financeira, comparando recursos e preços. A UFU lembra que esses sistemas têm custo de manutenção e exigem tempo e preparo para operar.

    Qual a diferença entre custo fixo e custo variável no salão?

    Custo fixo existe mesmo sem atendimento: aluguel, salários administrativos, seguros, parcelas de empréstimos, pró-labore. Custo variável acompanha o volume de serviços: produtos, insumos, cosméticos, comissões. Essa é a classificação que o estudo da UFU traz, com base em Martins (2003).

    O estudo aponta que, para o salão de beleza, o custeio variável se mostra mais vantajoso, porque permite ver em detalhe o impacto dos custos variáveis sobre a lucratividade. Também avisa que o rateio dos custos indiretos segue um critério escolhido de forma arbitrária: critérios diferentes geram custos totais diferentes para cada serviço. Por isso, anote na planilha qual critério você usou e mantenha o mesmo para comparar os meses.

    A conta do custo basta para definir o preço?

    Não. O estudo da UFU explica que o markup (custo total dividido pelo percentual da margem desejada) é muito usado em serviços, mas não considera fatores qualitativos, como a posição do salão frente aos concorrentes e o valor que o cliente percebe. Segundo a mesma pesquisa, as estratégias de preço variam com o posicionamento, a localização e o público do salão. Fatores externos também pesam: demanda, sazonalidade e tendências do setor.

    Um exemplo de sazonalidade aparece no plano de negócios de um salão de São Sebastião-SP, publicado no repositório do Centro Paula Souza, de 2024. Os autores apontam aumento da procura em janeiro e dezembro, em maio ("mês das noivas") e em outubro. A planilha mostra o seu piso. O mercado e o calendário ajudam a decidir quanto cobrar acima dele.

    Como fica um exemplo de conta na planilha?

    Exemplo hipotético publicado pelo Sebrae-RN, para um serviço cobrado por projeto. No salão, troque "projeto" por "atendimento" e use os seus números:

    • 20 horas de trabalho, com custo de R$ 50,00 por hora (incluindo a remuneração): R$ 1.000,00
    • custos variáveis: R$ 200,00
    • custo direto: R$ 1.200,00
    • custos fixos mensais de R$ 1.500,00, divididos por 4 projetos: R$ 375,00 por projeto
    • custo total: R$ 1.200,00 + R$ 375,00 = R$ 1.575,00
    • margem de 40%: R$ 1.575,00 ÷ 0,60 = R$ 2.625,00

    Nesse exemplo, o preço mínimo para cobrir os custos e ter 40% de margem seria R$ 2.625,00. Se o mercado paga menos, o Sebrae-RN aponta três saídas: reduzir custos, aumentar o volume ou rever a margem. A margem de 40% é só do exemplo, não uma recomendação.

    Erros comuns

    • Definir preço sem calcular custos. O Sebrae-RN alerta que vender barato esperando ajustar depois acumula prejuízo.
    • Esquecer os custos fixos e calcular o preço só com o produto gasto no serviço.
    • Deixar de fora a própria remuneração no custo da hora de trabalho.
    • Não registrar despesas pequenas, que somadas ao fim do mês pesam.
    • Misturar as finanças pessoais com as do salão.
    • Copiar o preço do concorrente sem saber se ele cobre o seu custo.
    • Fazer a planilha uma vez e nunca mais atualizar.

    Perguntas frequentes

    Existe uma margem de lucro certa para salão de beleza?

    O material consultado não indica uma margem única para o setor. O Sebrae-RN orienta definir a margem de acordo com o seu setor e com o valor que o cliente percebe no serviço. A margem de 40% que aparece no exemplo do Sebrae-RN é hipotética.

    A comissão do profissional entra na planilha de precificação?

    Sim. O Sebrae-RN lista as comissões entre os custos diretos, que aparecem a cada venda. O estudo da UFU também as classifica como custo variável. A planilha mostra o efeito da comissão no preço, mas não define qual porcentagem pagar.

    Como entram os impostos no preço do serviço?

    Segundo o Sebrae-RN, impostos e taxas cobrados em percentual sobre a venda entram no divisor da fórmula do preço. Para o MEI, o imposto é o DAS mensal. Nas demais empresas, valem os tributos do regime tributário. Conteúdo informativo, não substitui contador, advogado ou o INSS.

    Quem atende a domicílio também precisa de planilha?

    Sim. Na pesquisa da UFU com 30 donos de salão em Uberlândia-MG, cerca de 20% atendiam a domicílio, sem local fixo, e 80% atuavam como autônomos. Mesmo sem aluguel, há custos fixos e diretos, além do tempo de trabalho, que precisam entrar no preço.

    Por onde começar esta semana?

    Siga o checklist do Sebrae-RN: separe a conta do salão da conta pessoal, defina uma retirada mensal realista, crie uma planilha simples, anote todas as entradas e saídas e, ao fim do mês, calcule o custo real dos serviços e revise os preços.

    Fontes

    1. Gestão financeira para pequenos negócios: guia prático - Blog do Sebrae-RN · organizacao
    2. Gestão de custos e precificação em salões de beleza - Faculdade de Ciências Contábeis, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) · academica
    3. Plano de negócios: Alê Hair Alizze e Trat, São Sebastião-SP, 2024 - Repositório do Centro Paula Souza · documento

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