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Caso

Franquias de beleza que deram certo: o que a expansão das redes ensina a quem quer crescer

6 min de leitura · Gestão e crescimento · Atualizado em 06/11/2026

Wide view from a Brazilian sidewalk at golden hour of a tidy upscale salon facade with large glass windows, brass details, warm interior lam
Imagem gerada por IA
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    Contexto O caso vem do informe "Panorama do Segmento de Salões de Beleza e Barbearias", do BNDES, datado de junho de 2001. O documento descreve como as franquias passaram a ser um dos meios de instalação de redes de salões no Brasil. O exemplo citado é a rede multinacional Jean Louis David (JLD), com matriz em Paris e sede administrativa em Amsterdã, presente no Brasil desde 1992. Uma revisão acadêmica publicada em 2025 na Revista Universitária Brasileira acrescenta que o segmento de beleza está entre os três maiores do franchising. Os dados são antigos e servem como retrato de método, não como números atuais do mercado.

    Problema

    Segundo o BNDES, o mercado de salões ficou mais competitivo, com mais pessoas e empresas na atividade e clientes cada vez mais exigentes. Para crescer nesse cenário, as redes precisavam entregar o mesmo serviço em vários endereços e fortalecer a marca. O próprio informe registra o custo dessa escolha. As lojas de grande porte podiam passar de 400 m², com investimentos acima de R$ 1,5 milhão. Do lado do franqueado, já tinham sido relatados investimentos superiores a R$ 500 mil para implantar franquias famosas.

    Decisão

    As redes descritas pelo BNDES escolheram crescer pelo sistema de franchising, com base em padronização. A decisão tinha três pilares: avaliar o ponto antes de instalar, padronizar os serviços e o atendimento, e treinar a equipe de forma contínua. Algumas redes também diversificaram os formatos para caber no bolso de diferentes investidores.

    Em resumo

    Entre as franquias de beleza que deram certo no Brasil, o caso documentado pelo BNDES, em 2001, é o de redes que cresceram com padronização do atendimento, treinamento periódico da equipe e escolha criteriosa do ponto. O mesmo informe mostra investimentos altos e não traz dados de rentabilidade. Para um salão pequeno, a lição é o método, não o tamanho.

    O que fizeram

    Segundo o informe do BNDES (junho de 2001):

    • Ponto avaliado pelo franqueador. Os franqueadores avaliavam o ponto a ser instalado. As lojas de grande porte ficavam em pontos de localização privilegiada, para divulgar e fortalecer a marca.
    • Padronização do serviço e do atendimento. A JLD procurava manter, nos países onde atua, um mesmo padrão de atendimento e de serviços. Segundo o informe, a rede tinha faturamento anual da ordem de US$ 540 milhões, com 1.100 franquias no mundo.
    • Treinamento contínuo. As redes mantinham centros técnicos e de formação, onde a equipe passava por treinamento de aperfeiçoamento periódico.
    • Formatos diferentes de franquia. Algumas empresas ofereciam micro-franquias, com unidades de área bastante reduzida ou quiosques, por exemplo dentro de lojas de departamentos.
    • Serviço rápido e repetível. Algumas redes adotaram o corte em ritmo industrial, com conceito unissex e atendimento em 15 ou 20 minutos, usando principalmente máquinas. Nesse modelo, a rede forma os próprios profissionais, porque o treinamento demanda pouco tempo e não exige especialização anterior.
    • Expansão no Brasil. A JLD abriu a primeira unidade em Ipanema e chegou a 27 lojas no país, em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Vitória, Porto Alegre, Belo Horizonte e Juiz de Fora. A unidade de Copacabana, com 200 metros quadrados, era a segunda maior loja da empresa. Ela tinha três ambientes: boutique de produtos e perfumaria, lavagem, corte e escovação, e tintura e tratamento.

    O que funcionou

    • Padronização de serviço e atendimento permitiu manter o mesmo padrão em várias unidades, segundo o BNDES.
    • Treinamento periódico em centros técnicos e de formação sustentou a qualidade da equipe da rede.
    • Formatos menores, como micro-franquias e quiosques, ampliaram as opções para investidores com menos capital.
    • Serviço rápido e padronizado aumentou a produtividade: segundo o BNDES, profissionais de algumas redes realizavam entre 200 e 300 cortes por mês, enquanto barbeiros tradicionais, em geral, não passavam de 150.

    O que as franquias de beleza que deram certo têm em comum?

    No retrato do BNDES, as redes que se expandiram combinavam três coisas: ponto escolhido com critério, serviço e atendimento padronizados, e equipe treinada de forma periódica. Nenhuma delas depende de ser franquia. Um salão independente pode aplicar o mesmo método em escala menor. A diferença está no tamanho do investimento, que nas redes descritas podia passar de R$ 500 mil para o franqueado.

    O que se sabe sobre franquias de beleza que fecharam?

    As fontes usadas nesta página não trazem número de unidades fechadas nem relatos de rentabilidade de franqueados. Por isso, esta página não estima esses dados. O informe do BNDES de 2001 registrava outra expectativa: com a concorrência e o crescimento das redes, muitas empresas de bairro, principalmente barbearias, poderiam deixar o mercado, como teria ocorrido nos Estados Unidos entre os anos 70 e 80. Um estudo do Ipea também associa os salões unissex, sem espera e sem hora marcada, ao declínio do número de barbearias nos Estados Unidos e depois no Brasil. São leituras sobre o mercado, não balanços de redes que fecharam.

    O que isso muda no seu salão?

    Se você pensa em crescer, por franquia ou por conta própria, a pergunta principal é se o seu serviço pode ser repetido com a mesma qualidade em outro lugar e por outra pessoa. A revisão publicada na Revista Universitária Brasileira, em 2025, lembra que a relação entre franqueador e franqueado precisa ser harmoniosa para o acordo funcionar. Antes de assinar qualquer contrato ou abrir uma segunda unidade, faça a conta do investimento com os seus números.

    Perguntas frequentes

    Quanto custava abrir uma franquia de salão famosa, segundo o BNDES?

    O informe do BNDES de junho de 2001 registra investimentos superiores a R$ 500 mil para a implantação de franquias famosas. Também cita lojas de grande porte, com mais de 400 m², com investimentos que podiam passar de R$ 1,5 milhão. São valores daquela época e não servem como referência atual.

    O que é micro-franquia no setor de beleza?

    Segundo o BNDES, são unidades com área instalada bastante reduzida ou quiosques, instaladas, por exemplo, dentro de lojas de departamentos. Algumas redes ofereciam esse formato para atender investidores com perfis diferentes.

    O setor de beleza é forte no franchising?

    Segundo revisão bibliográfica publicada na Revista Universitária Brasileira em 2025, o segmento de beleza está entre os três maiores do franchising. A mesma revisão aponta que a pandemia afetou as franquias brasileiras, mas que o setor de beleza e bem-estar foi menos afetado.

    Fontes

    1. BNDES — Panorama do Segmento de Salões de Beleza e Barbearias (junho de 2001) · oficial
    2. Revista Universitária Brasileira — Mercado de beleza e empreendedorismo fashion: uma revisão bibliográfica (2025) · academica
    3. Ipea — A beleza como variável econômica: reflexo nos mercados de trabalho e de bens e serviços · oficial

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