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Contexto Salões de beleza, barbearias e profissionais da beleza no Brasil, entre 2020 e 2021, durante as restrições da pandemia de covid-19. Os dados vêm de levantamentos da Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), do Sebrae, da Beauty Fair e de artigos publicados em 2020 na revista InterfacEHS, do Centro Universitário Senac. Eles estão reunidos em um trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e em trabalhos do Centro Paula Souza (CPS). Segundo um desses trabalhos do CPS, o setor ficou fechado por quase dez meses em 2020 e por pelo menos seis meses em 2021.
Com as portas fechadas ou com restrições, a receita do salão parou ou caiu, mas as contas continuaram. Segundo a ABSB, citada por Lignelli (2021) no trabalho da UFSC, para 82% dos negócios o faturamento caiu e 73% ficaram endividados. O mesmo trabalho registra que essa situação podia levar ao fechamento por causa da crise na economia, das dificuldades de acesso a crédito, do fim do Auxílio Emergencial e da redução de jornada e salários. Entre os profissionais, a pesquisa da Beauty Fair de 2020, feita com cabeleireiros da região metropolitana de São Paulo, mostrou que 84% solicitaram o auxílio emergencial e que 11% fecharam seus salões. Os salões também perderam gente: em levantamento da ABSB que comparou 2021 com 2019, cerca de 52% dos profissionais que atuavam em salões passaram a atender clientes em domicílio, e 66% dos empreendedores relataram redução no número de pessoas trabalhando no salão.
Sem receita, os negócios tiveram de escolher entre recorrer a crédito, buscar auxílio e mudar o jeito de atender e vender. Os dados mostram que muitos fizeram mais de uma coisa ao mesmo tempo: pegaram empréstimo para pagar contas, adaptaram o funcionamento e passaram a vender e a se comunicar pela internet.
Na pandemia, o caixa do salão de beleza foi testado: segundo a ABSB, citada em pesquisa da UFSC, para 82% dos negócios o faturamento caiu e 73% ficaram endividados. Em estudo de 2020, 25% dos entrevistados recorreram a empréstimos bancários para pagar contas. Os dados não apontam valor ideal de capital de giro, mas mostram por que a reserva importa.
O que fizeram
- Crédito para pagar contas. No estudo de Silva et al. (2020), publicado na revista InterfacEHS do Centro Universitário Senac com salões de estética e maquiagem de profissionais empreendedores, 25% dos entrevistados tiveram de recorrer a empréstimos bancários para pagar as contas. No mesmo estudo, 71% disseram que não conseguiriam se manter se a pandemia prosseguisse.
- Adaptação do funcionamento. Segundo o Sebrae (2021), citado no trabalho da UFSC, 71% dos pequenos negócios do segmento fizeram adaptações para continuar funcionando.
- Venda e presença digital. Ainda segundo o Sebrae, a comercialização de produtos e serviços pela internet entre os pequenos negócios de beleza passou de 48%, em maio de 2020, para 72%, em 2021. Um trabalho do Centro Paula Souza registra que as redes sociais ajudaram profissionais a manter a clientela e a atrair público com postagens, promoções e enquetes.
- Protocolos para reabrir. Os salões passaram a usar máscaras, distanciamento e os protocolos sanitários exigidos pela Secretaria da Saúde. Na pesquisa da Beauty Fair de 2020, 47% dos cabeleireiros entendiam que, com os protocolos de higienização, conseguiam trabalhar de forma segura.
- Atendimento em domicílio. Parte dos profissionais passou a atender na casa dos clientes, como mostram o levantamento da ABSB e o trabalho do Centro Paula Souza.
O que funcionou
- Adaptar o funcionamento: segundo o Sebrae (2021), 71% dos pequenos negócios do segmento fizeram adaptações para continuar funcionando, e essas mudanças poderiam ajudar na retomada.
- Usar a internet para vender e manter contato: a venda pela internet entre pequenos negócios de beleza passou de 48%, em maio de 2020, para 72%, em 2021 (Sebrae). O trabalho do Centro Paula Souza aponta as redes sociais como recurso para manter a clientela.
- Mostrar higiene ao cliente: em estudo de 2020 sobre barbearias (Muniz et al., InterfacEHS), 99,1% dos entrevistados julgaram muito importante a higienização. Em estudo sobre cabeleireiros (Carreiras et al., 2020), 91,1% avaliaram como boa ou excelente a higienização dos estabelecimentos.
O que não funcionou
- Gestão despreparada para a crise: a análise do trabalho da UFSC aponta deficiências na gestão diante da pandemia e pouca capacitação em gestão do negócio entre os pequenos salões.
- Falta de planejamento: segundo o trabalho do Centro Paula Souza, muitos negócios não tinham planejamento estratégico do negócio e da carreira, o que aumentou o impacto do fechamento.
- Receita concentrada em serviços: o trabalho da UFSC lista como fraqueza o faturamento dependente da prestação de serviços, com baixa receita de revenda de produtos.
- Reter a equipe: segundo levantamento da ABSB, 66% dos empreendedores relataram redução no número de pessoas trabalhando nos salões em relação a 2019.
Qual o valor ideal de capital de giro para um salão de beleza depois da pandemia?
Não existe um valor ideal publicado nas pesquisas sobre o setor na pandemia. Os estudos reunidos aqui não trazem uma regra de quantos meses de reserva um salão deve ter.
O que eles mostram é o efeito de não ter reserva. Segundo a ABSB, citada no trabalho da UFSC, 73% dos negócios ficaram endividados. No estudo de Silva et al. (2020), 71% dos entrevistados disseram que não conseguiriam se manter se a pandemia prosseguisse.
O caminho é fazer a sua própria conta. Some os custos fixos do mês e veja quantos meses o caixa cobre. Esse número é seu, e muda conforme o tamanho do salão e o modelo de trabalho.
Vale a pena pegar empréstimo para o salão em uma crise?
Os dados não respondem essa pergunta com um sim ou não. Eles mostram que o crédito foi uma saída comum: 25% dos entrevistados no estudo de Silva et al. (2020) recorreram a empréstimos bancários para pagar contas. Também mostram que o acesso ao crédito foi difícil, segundo o trabalho da UFSC.
Antes da pandemia, o Sebrae (2017) já apontava que 58% dos pequenos negócios de beleza precisavam de orientação para crédito e financiamento, e 59% de capacitação em controle financeiro.
Os estudos reunidos aqui não trazem dados sobre o uso do Pronampe ou de outras linhas específicas pelos salões.
Conteúdo informativo, não substitui contador, advogado ou o INSS.
O que isso muda no seu salão hoje?
A pandemia mostrou que um salão pequeno pode ficar meses sem receita e continuar com contas a pagar. Quem tinha pouca reserva dependeu de empréstimo e de auxílio.
Na prática, três pontos ajudam: saber o seu custo fixo mensal, guardar uma reserva separada e manter um canal digital com a clientela. Nenhum deles garante que o negócio atravesse uma crise. Mas, segundo esses dados, a falta de gestão e de planejamento pesou contra quem não os tinha.
Perguntas frequentes
Quantos salões tiveram queda de faturamento na pandemia?
Segundo a ABSB, citada por Lignelli (2021) no trabalho da UFSC, o faturamento caiu para 82% dos negócios, e 73% ficaram endividados.
Os profissionais deixaram os salões durante a pandemia?
Em levantamento da ABSB que comparou 2021 com 2019, cerca de 52% dos profissionais que atuavam em salões passaram a atender clientes em domicílio. Para 66% dos empreendedores, houve redução no número de pessoas trabalhando no salão.
Os salões passaram a vender pela internet?
Sim. Segundo o Sebrae, a comercialização de produtos e serviços pela internet entre pequenos negócios de beleza passou de 48%, em maio de 2020, para 72%, em 2021.
Fontes
- Trabalho de conclusão de curso, Departamento de Ciências da Administração, Universidade Federal de Santa Catarina (Amanda Schuchowsky) · academica
- Beauty career – carreira da beleza, Repositório do Centro Paula Souza · academica
- Marketing digital no segmento da beleza, Etec José Martimiano da Silva, Centro Paula Souza · academica



