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O preço da concorrência é uma referência útil, mas o estudo acadêmico sobre salões indica que o preço parte do custo do próprio negócio, e copiar ignora essa base.
Olhar o preço da concorrência no salão de beleza ajuda, mas copiar não é o jeito mais seguro. Pesquisa da UFU mostra que a precificação parte dos custos totais e da margem desejada. A concorrência é um fator a considerar, ao lado do valor percebido pelo cliente. Quem copia sem conhecer o próprio custo pode comprometer a viabilidade do negócio.
Como essa afirmação circula entre donos de salão?
A ideia aparece em forma de conselho prático: "veja quanto o salão da esquina cobra e cobre parecido". Ela surge quando o dono procura o valor de um corte ou uma tabela de preços pronta, em vez de fazer a conta do próprio negócio.
O conselho parece prudente. Ninguém quer cobrar muito acima do bairro e perder cliente. Ninguém quer cobrar muito abaixo e parecer amador. Copiar o vizinho dá a sensação de estar no lugar certo sem ter de fazer conta.
O problema é que a frase troca "olhar a concorrência" por "copiar a concorrência". São coisas diferentes, e a diferença pesa no caixa.
Por que copiar o preço da concorrência do salão de beleza parece seguro?
Porque a concorrência no setor é real e forte. O artigo da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), de março de 2025, descreve o setor de salão de beleza como um mercado "onde a concorrência é intensa e a exigência dos clientes é crescente".
O mesmo estudo cita Porter (1989): a rivalidade entre empresas é uma das forças competitivas do mercado, e por isso é "essencial monitorar os preços e a diferenciação perante os concorrentes". Cita também Stal (2010): as empresas ficam mais competitivas quando analisam a concorrência.
A pesquisa da Unisinos lembra, com base no Sebrae Nacional (2013), que o salão de beleza tem poucas barreiras de entrada. Há sempre alguém novo abrindo perto. Diante disso, seguir o preço do bairro parece a escolha mais segura.
O que convence é a parte verdadeira: acompanhar o mercado importa. O que engana é concluir que acompanhar significa copiar.
O que é verdade e o que não é nessa afirmação?
É verdade que o preço do concorrente conta. Segundo Nogami e Veloso (2017), citados pelo estudo da UFU, para formar preço é preciso conhecer o preço praticado pelos concorrentes, a elasticidade da demanda (o quanto o cliente reage a uma mudança de preço), os serviços substitutos e a estratégia da empresa.
Não é verdade que ele seja a base mais segura. Para Azambuja e Dalfovo (2005), também citados pela UFU, a precificação parte dos custos totais, somados à margem de lucro desejada. Só depois entram os fatores externos, a comparação com o concorrente e o poder de compra do cliente.
O estudo explica por que o custo vem primeiro. Os custos do salão se dividem em fixos (aluguel, energia, salários administrativos) e variáveis (produtos, comissão dos profissionais, outros insumos). A distinção correta desses custos é, nas palavras do texto, "essencial na determinação de preços compatíveis" com a realidade do negócio. O aluguel, a equipe e o consumo de produto do vizinho não são os seus.
Copiar também pode significar copiar um erro. Na pesquisa da Unisinos, profissionais relatam concorrentes que cobram muito abaixo. A autora levanta a hipótese de que, por começarem com pouco capital, muitos iniciantes "estipulam preços mínimos visando retornos rápidos". Uma entrevistada diz: "Alguns cobram preços tão baixos que não sei como conseguem pagar os produtos que usam." Quem copia esse preço herda a conta que não fecha.
Nem o cálculo por custo resolve tudo sozinho. A UFU afirma que o markup (multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço) é muito usado em serviços, mas precisa ser complementado. Ele não considera a posição da empresa frente aos concorrentes nem a percepção de valor pelo cliente. Segundo Souza et al. (2014), em salões a precificação pelo valor percebido pode ser eficaz, porque clientes se dispõem a pagar mais por serviço diferenciado e experiência superior.
Que contexto ajuda a entender o risco de copiar preço?
O estudo da UFU ouviu empreendedoras do setor em Uberlândia-MG. É uma amostra local, mas os achados ajudam a entender o problema:
- Cerca de 80% dos respondentes gerenciam o negócio sem apoio do contador para assuntos específicos.
- O regime tributário afeta o preço dos serviços, e por vezes as gestoras desconhecem em qual regime a empresa está.
- A gestão eficiente dos custos impacta diretamente a definição dos preços.
Se o próprio dono nem sempre sabe quanto paga de imposto, copiar o preço de outro salão, com outro regime e outros custos, aumenta a chance de erro. Este trecho é informativo e não substitui o contador.
O preço também precisa de revisão. Uma entrevistada da Unisinos conta: "Estou mantendo preços de 2016, enquanto todos os produtos subiram." O estudo da UFU cita Quandt et al. (2014): demanda, sazonalidade e tendências do setor pesam na formação do preço. Um preço copiado uma vez e nunca revisto envelhece junto com o custo.
O conteúdo de preço de venda para beleza do Sebrae-SP segue a mesma lógica: analisar custos, tendências e perfil de clientes para apoiar a decisão de preço.
O que fazer no seu salão esta semana?
- Liste os custos fixos do mês: aluguel, energia, salários administrativos e o que mais você paga mesmo sem atender ninguém.
- Liste os custos variáveis de cada serviço: produto usado, comissão do profissional e outros insumos.
- Confirme com o contador em qual regime tributário o salão está e quanto isso pesa no preço.
- Some custo e margem desejada para cada serviço principal. Esse é o seu ponto de partida.
- Só então compare com os preços do bairro. Se o seu ficar acima, pergunte o que você oferece de diferente. Se ficar muito abaixo, desconfie da conta, a sua ou a do concorrente.
- Marque na agenda uma data para revisar os preços quando os custos mudarem.
Perguntas frequentes
Posso usar o preço da concorrência como referência?
Pode e deve, como um dos fatores. O estudo da UFU cita o preço dos concorrentes entre os elementos a conhecer, mas a base é o custo total do seu salão somado à margem desejada.
Por que o preço do salão vizinho não serve para o meu?
Porque os custos são diferentes. Aluguel, equipe, comissão, produtos e regime tributário mudam de um salão para outro. O estudo da UFU afirma que distinguir custos fixos e variáveis é essencial para chegar a um preço compatível com o seu negócio.
Calcular pelo custo é suficiente?
Não totalmente. Segundo a UFU, o markup precisa ser complementado pela posição do salão frente aos concorrentes e pela percepção de valor do cliente, que pode justificar preço maior para serviço diferenciado.
Fontes
- Gestão de custos e precificação dos serviços em salões de beleza: os desafios e estratégias para a sustentabilidade empresarial (UFU, março de 2025) · academica
- Trabalho de conclusão em Administração, Unisinos (Sandra Helenara Laurindo Soine) · academica
- Preço de vendas para beleza (Sebrae-SP) · organizacion
Do custo da sua hora e dos produtos até o preço que paga impostos, taxas, comissão e ainda deixa lucro.



