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Para saber quanto cobrar por uma progressiva, some o custo do produto realmente usado, os descartáveis, as horas de cadeira vezes o seu custo-hora e os custos fixos rateados. Depois divida o total por um menos a soma de tributos, taxa de cartão, comissão e margem. O preço certo sai do seu custo, não da tabela do vizinho.
Como calcular quanto cobrar por uma progressiva?
Não há um preço único que sirva para todo salão. O valor que funciona é o que cobre o seu custo e deixa margem. A conta tem quatro partes: produto usado, tempo de cadeira, custos fixos e variáveis, e tributos e comissões.
1. Custo do produto por aplicação. Calcule pelo que você usa, não pelo frasco inteiro:
- custo por grama = preço pago ÷ quantidade líquida em gramas;
- custo da aplicação = custo por grama × gramas usadas.
2. Custo total. Some produto, demais cosméticos, descartáveis e horas de atendimento × custo-hora. Depois acrescente os custos fixos rateados por hora.
3. Preço de venda. Divida o custo total por (1 − tributos − comissões − margem desejada). Essa fórmula é um modelo de cálculo, não uma alíquota legal.
Exemplo hipotético (troque pelos seus números):
- produto: R$ 240 por 1.000 g dá R$ 0,24/g; com 80 g, R$ 19,20;
- demais cosméticos: R$ 8,00;
- descartáveis: R$ 4,00;
- tempo: 3 horas a R$ 75/h;
- taxa de cartão: 2%; tributos: 6%; margem desejada: 15%.
Custo antes dos percentuais: R$ 19,20 + R$ 8,00 + R$ 4,00 + (3 × R$ 75) = R$ 256,20.
Preço = R$ 256,20 ÷ (1 − 0,02 − 0,06 − 0,15) ≈ R$ 333,16.
Esse valor não é recomendação de preço. Ele só mostra o método. O consumo de produto varia com densidade, espessura, volume, comprimento e porosidade do cabelo. Por isso, pese o produto antes e depois de atendimentos reais.
Quanto tempo de cadeira e quanto cabelo entram no preço?
O tempo de cadeira é todo o período em que você e a estação ficam ocupados, não só a pausa do produto. Conte diagnóstico, preparação, lavagem, aplicação, tempo de ação, enxágue, secagem, finalização, higienização da estação e registro do atendimento.
O custo-hora é a remuneração mensal total dividida pelas horas produtivas do mês. Horas produtivas não são todas as horas com o salão aberto. Desconte pausas, limpeza, administração, faltas de clientes e horários vazios. No exemplo hipotético, R$ 12.000 ÷ 160 horas produtivas = R$ 75/h. Uma progressiva de 3 horas consome, nesse caso, R$ 225 só de tempo.
Cobrar apenas por "curto, médio e longo" sem critério gera prejuízo. Defina categorias com critérios objetivos: comprimento, densidade, volume, histórico químico, produto previsto e tempo estimado. Um exemplo de padronização: curto acima dos ombros, médio entre ombros e linha do busto, longo abaixo do busto, e uma categoria extra para cabelo muito volumoso. Documente seus critérios e avise o cliente antes quando houver cobrança adicional.
O que muda no preço da progressiva com parceria e tributos?
Se você trabalha no modelo da Lei do Salão-Parceiro, a divisão precisa estar no contrato. Segundo o Sebrae, a cota-parte do profissional-parceiro não integra a receita bruta do salão-parceiro para fins de tributação. O salão-parceiro deve emitir documento fiscal unificado ao consumidor, discriminando a parte do salão e a do profissional. O Sebrae também informa que o salão-parceiro não pode ser MEI. O profissional-parceiro, conforme as condições e o faturamento, pode ser MEI ou pequena empresa do Simples Nacional.
Na prática: se a parte do profissional for de 50%, esses 50% não são receita disponível do salão. Contrato, nota fiscal e escrituração precisam bater entre si.
Sobre tributos, a orientação do Sebrae menciona o Anexo III do Simples Nacional para serviços e produtos empregados no serviço, e o Anexo I para produtos vendidos. A mesma página registra que a Resolução CGSN nº 156/2020 substituiu a nº 140/2018. Como a alíquota depende do seu enquadramento e do tipo de receita, confirme o percentual com seu contador antes de colocá-lo na planilha. Conteúdo informativo, não substitui contador, advogado ou o INSS.
Faça no seu salão esta semana
- Comece a registrar, em cada progressiva, o peso do produto antes e depois, o tempo total de cadeira, o comprimento e a densidade.
- Liste seus custos fixos do mês e divida pelas suas horas produtivas.
- Peça ao contador a alíquota que vale para o seu caso.
- Depois de 30 dias, calcule a média e olhe também os casos de maior consumo. Preço feito só pela média pode dar prejuízo nos cabelos longos ou volumosos.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para fazer uma progressiva no salão?
Não há um tempo padrão que valha para todos. O tempo varia com o cabelo e com a forma de trabalho. Meça no seu salão o tempo total de cadeira, do diagnóstico à organização da estação, e use esse número no cálculo do custo-hora.
Posso cobrar mais por cabelo longo ou volumoso?
Sim, desde que você tenha critérios objetivos e documentados, como comprimento, densidade, volume, produto previsto e tempo estimado. Informe o cliente antes do serviço sempre que houver cobrança adicional.
Que regras sanitárias valem para a progressiva?
As regras sobre produtos alisantes, regularização, armazenamento e higiene vêm da Anvisa e da vigilância sanitária do seu município. Confirme com a vigilância sanitária local o que é exigido e use só produto regularizado na Anvisa. Itens exigidos, como luvas, avental, máscara e descarte, entram no custo do serviço.
Fontes
- Sebrae: Salão-Parceiro, tire suas dúvidas · organizacion
- Sebrae: Lei Salão-Parceiro, como fazer parcerias com profissionais de beleza · organizacion
- Sebrae: Diferenças entre MEI, EI, EPP, CNPJ e ME · organizacion



